Detroit Become Human – Um conto quase de fadas

Sim, estamos diante de uma história que nos remete aqueles contos infantis onde esperamos o final feliz após uma jornada.

E não é para menos. Pois todos os arquétipos estão ali. O caçador, o vilão, o herói e a princesa em perigo.

Detroit Become Human, apresenta uma narrativa densa e cativante, apesar de contar com os velhos clichês do cinema, sim cinema também é uma referência aqui. Com cenas dignas de um filme de Alex Garland (Ex-Machina e Aniquilação). Logo no começo nos vemos no papel de Connor ou RK800, seu modelo de Androide. Controlamos aqui um Androide que tem como objetivo caçar máquinas de sua própria espécie, chamado de divergentes. É nesse primeiro momento que já vemos qual será a mecânica do jogo.

Você está em um apartamento onde um Androide doméstico se rebela e acaba matando o pai da família e fazendo a filha de refém, este poderia ser mais um roteiro bem previsível se não fosse as linhas de desfecho possíveis. Onde você pode resolver o caso de 5 maneiras diferentes, de acordo com as pistas que o cenário te propõe. Se você for mais detalhista conseguirá mais informações sobre o divergente e poderá negociar melhor com ele. Já que informações adicionais podem facilitar com novas opções de diálogos, E não se engane, suas decisões realmente tem consequências em cada capítulo do jogo que também afetará a sua progressão futura.

Também temos mais dois personagens androides, Kara e Markus; as inspirações de David Cage ficam claras aqui nas fábulas no arco de Kara; uma Androide feita para servir o lar e cuidar de Todd e sua filha Alice. Neste arco temos uma narrativa de menos ação que vemos com Connor e mais um drama familiar, com valores maternos. Não vemos tanta urgência, mas também não se pode baixar a guarda já que decisões erradas podem significar o fim do jogo.

E para finalizar os três protagonistas, temos o personagem mais preto e branco da série, Markus. Onde você irá decidir se após um trauma seguirá o caminho da bondade e pacifismo ou a do caos e anarquia, é também o arco onde temos as melhores cenas de ação e as escolhas mais difíceis de se fazer.

Um mundo real

Detroit become human conta com cenários belíssimos e gráficos mais lindos já visto em 3D, além é claro dos detalhes dos personagens que quase não se vê diferença de uma foto para o virtual. As cidades são vivas e cada pessoa ali tem uma interação própria que trás simpatia e medo de diálogos como na vida real.

Um fator que ajuda essa imersão é o trabalho magnífico de fotografia e iluminação, é difícil até de comparar com outros jogos atuais. É um jogo a frente de sua geração sem dúvidas no quesito qualidade de imagem.

Ouça a melodia do mundo

A trilha sonora e mixagem de som não tem o que reclamar. Com transições sutis de música de acordo com a situação que você está e o clímax que a trilha sonora traz em momentos importantes, te trazem urgência e anseio do que fazer em seguida. Um prato cheio para os ouvidos daqueles que se importam com este recurso técnico.

Nem de flores se faz um jardim

Infelizmente o jogo é tão real e tão imersivo que apesar de quase não ter quebras de quadros ou bugs, a mecânica de se andar e interagir nos diálogos e em algumas situações importantes te tiram dessa imersão. É sofrível as vezes simplesmente andar. Apesar de fluido. Em certos momentos parece que está controlando um tanque de guerra de tão pesado é de direcionar seu personagem pelo cenário. E a câmera que apesar de você ter total controle, as vezes simplesmente muda a perspectiva e você que estava andando para frente se vê andando para a direção errada. Isso acaba por ter tirar do “mundinho” proposto pelo game.

O enredo

Não posso falar muito sem que haja spoilers, mas todos as reviravoltas clichês que você espera estão lá, mas não de uma maneira chata e entediante. É prazeroso adivinhar o que estar por vir e tentar prever uma solução para um problema e que na maioria das vezes terá tempo e urgência de se resolver. Não fique tranquilo pensando que se tomar uma decisão errada poderá voltar, pois o jogo salva cada decisão sua e um arrependimento é definitivo, a não ser que comece um novo jogo. Sobre a promessa de ter infinitas soluções e consequências para suas ações o jogo realmente surpreende, pois em uma segunda vez jogando, percebi que algumas decisões que não mudariam dependendo das respostas e ações realmente mudaram e influenciaram a história, quanto mais se progride, maiores são as chances de se perder um personagem definitivamente, fazendo com que o final possa ser titânico ou uma catástrofe sem precedentes. E até mesmo a opinião pública é influenciada por suas ações poderá afetar o final do game.

Detroit Become Human é um jogo obrigatório para os amantes de ficção e cinema, mas realmente não agradará aqueles jogadores que gostam de um mundo confortável onde a morte não tem consequências. É um jogo competente em tudo que faz com os pequenos deslizes da mecânica, que apenas arranha sua grandeza.

Nota: 4,5/5

Plataformas: PS4

Preço: 199,99